Eles estão andando pelas ruas, no trabalho, entre nossos vizinhos, amigos e até mesmo na família. São os portadores de transtornos de personalidade, que convivem com a gente todos os dias e nem sempre conseguimos identificar o que está acontecendo, quando apresentam comportamentos tão esquisitos, desestabilizados ou destemperados. A soma dos traços emocionais e de comportamento de uma pessoa é o que pode ser chamado de caráter ou personalidade. Trata-se do modo de agir ou de sentir emoções, que, em alguns casos, pode apresentar alguns “desvios”. São os denominados transtornos de personalidade, ou seja, um grupo de doenças psiquiátricas em que as características emocionais e comportamentais de uma pessoa são mal ajustadas.

Esses distúrbios comprometem seriamente a qualidade de vida dos pacientes, que sentem enorme dificuldade em adaptar-se a determinadas situações e que, por isso, causam sofrimento e a eles próprios e a quem convive com eles. Normalmente, manifestam-se no começo da idade adulta e são crônicos (permanecem pela vida toda) se não tratados. Pacientes com esses transtornos costumam sofrer estigmas e preconceitos, o que dificulta ainda mais o convívio social, que já é complicado pelo próprio problema.  As causas destes transtornos são diversas, entretanto costumam estar associadas com as vivências infantis e as da adolescência.

Tipos de transtorno de personalidade

Esquizoide ― Indivíduos isolados socialmente, não expressam ou vivenciam emoções, frios, indiferentes e não fazem questão de manter laços afetivos. Vistos como independentes emocionalmente. São muito introspectivos e não costumam ter amizades. Preferem viver sozinhos e isolados. Não sentem prazer com coisas tipicamente satisfatórias, como o sucesso no trabalho, no estudo ou uma conquista afetiva. Apresentam indiferença a elogios ou críticas, pouco interesse em relações sexuais e insensibilidade a normas sociais.

Esquizotípica ― Pessoas que acreditam ter poderes especiais, outros são supersticiosos e repletos de “manias”. Caracterizam-se por serem indivíduos excêntricos e estranhos, com crenças bizarras, ilusões, pensamento e discurso extravagante. Falta de amigos e muita ansiedade no convívio social. Exagero na interpretação de fatos.

Paranoide ― Desconfiadas e paranoicas, não confiam nos outros. Acreditam em tramas, conspirações e perseguições. São rancorosos, com dificuldade em perdoar os outros. São frios emocionalmente e podem se manter distantes das outras pessoas porque acreditam estar sempre sendo enganados. Podem ser hostis e acabar descarregando mágoas de forma intempestiva e violenta.

Antissocial ― São sociopatas, pessoas egocêntricas desde a adolescência e que mesmo na idade adulta mantêm comportamentos persistentes de desrespeito às normas, regras ou leis sociais. Causam prejuízos e transtornos significativos às pessoas próximas em seu círculo social. Frequentemente, surgem ocorrências de transtorno de conduta e histórico de problemas na relação conjugal devido à propensão para adultério e infidelidade. Não desenvolvem empatia e tendem a ser insensíveis, cínicos e a desprezar os sentimentos, direitos e sofrimentos alheios. Enganam, seduzem e manipulam as pessoas a fim de obter vantagens pessoais ou prazer.

Histriônica ― Pessoas muito emotivas, hipersensíveis, exageradas, superficiais, instáveis, dramáticas, muito preocupadas com a aparência física (vaidosos e provocativos) e querem chamar atenção a todo o momento. Caso contrário, sentem-se profundamente incomodados, podendo expressar suas emoções de forma exagerada, como rompantes de choro ou raiva por coisa mínima. Tendem a infidelidade contumaz, são muito manipuladores, sedutores, controlando pessoas e circunstâncias para conseguir atenção.

Borderline ― Os sintomas de seus portadores tornam-se muito exacerbados quando se apaixonam. São muito inconstantes, exagerados, constantemente insatisfeitos, intolerante às decepções e às frustrações, com pensamento extremista, do tipo 8-80, dificuldade em se relacionar de forma saudável com seus familiares e pessoas íntimas, sendo agressivos e ou rebeldes. Temem ser ignorados e abandonados. Aí, podem se tornar irritantes, insuportáveis e autodestrutivos. Tendem a chantagens, manipulações, ameaças suicidas ou autodestrutivas. São controladores, ciumentos e raivosos.

Narcisista ― Indivíduos arrogantes, orgulhosos e que se acham superiores, muito especiais. Demonstram pouca empatia para com os outros, não se importam com sentimentos alheios e podem ser frios emocionalmente. Exigem o “melhor” para eles. São vaidosos em demasia, ansiando por elogios e afeição, mas apenas para mostrar que são supostamente superiores às outras pessoas. Gostam de ostentação.

Dependente ― Pessoas muito dependentes emocionalmente e fisicamente dos outros para fazer qualquer coisa. Genuinamente carentes, não conseguem viver só e estão sempre à procura de um relacionamento íntimo para se manter dependente. Costumam ser submissos com quem mantem relacionamentos, mostrando muita empatia ou altruísmo por outras pessoas e pouca preocupação consigo mesmo. Não costumam contrariar as outras pessoas e emoções, como raiva e desgosto, são reprimidas e disfarçadas, pois têm medo excessivo de magoar o outro. Possuem forte medo de perda e abandono.

Esquiva ― Excessivamente tímidos, com grande ansiedade na vida social, sendo que frequentemente carregam um sentimento de inferioridade em relação as outras pessoas. Possuem uma baixa autoestima e temem serem ridicularizados ou criticados em público. Evitam situações de contato social. Podem carregar grande carga de sofrimento, pois têm uma grande vontade de se relacionar com outros, mas não conseguem por conta da vergonha e timidez excessiva.

Obsessivo-compulsiva ― Pessoas teimosas e inflexíveis, muito organizadas. Não suportam sujeira ou bagunça. São detalhistas ao extremo, podendo gastar muito tempo trabalhando, estudando ou limpando, deixando de lado relacionamentos, diversão e lazer. Tendem a fazer todas as tarefas por acreditar que os outros não as farão devidamente. Pode surgir o comportamento de acumulação de objetos.

Tratamento e cuidados

O tratamento desses transtornos é bastante difícil e igualmente demorado, pois em se tratando de mudanças de caráter, o indivíduo terá de transformar o seu próprio “jeito de ser”. A psicoterapia, aliada ao tratamento medicamentoso, tem sido a principal arma para combater esses transtornos. No entanto, apesar de o foco do tratamento ser basicamente o mesmo (amenizar e controlar os sintomas), a abordagem tende a ser diferente para cada tipo de transtorno de personalidade. As pessoas doentes não costumam buscar ajuda médica por conta própria. Isso só acontece quando a doença já causou grandes problemas a suas vidas, tanto para os relacionamentos quanto ao emprego e em outros círculos sociais. Por isso, é muito importante observar seus entes queridos e, se perceber a presença de alguns desses transtornos, tente convencê-los à procurar a ajuda de um psicólogo.

Fontes e referências

  • Ministério da Saúde
  • Psych Central
  • Royal College of Psychiatrists
  • Mayo Clinic

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